Dia 134

Um gato na janela, a opressão do ar, um alguém algures…

O pequeno e o detalhe, é neles que reparo agora, nestes dias finais. O caso particular sempre me atraiu mais que o universal e é portanto a pequena cidade que crio na grande Milão que com certeza ficará gravada na minha memória.

Não só Milão, claro, mas todos os lugares que a minha estadia por cá me permitiu visitar. Florença foi o último. Tão eternamente magnífica que nem uma quantidade absurda de turismo a pode corromper. Ideal teria sido, para mim, percorrer toda a Toscânia e fazê-lo demoradamente, provar todos os vinhos, descobrir pequenas e grandes terras, mas como (por agora) tal se revelava impossível, três dias tiveram de servir – um dedicado a Pisa, outros dois a Florença. Pisa é uma típica cidade italiana, sem demasiadas visitas obrigatórias com exceção de um centro munido de monumentos de referência que incluem a famosa torre inclinada. Florença, por outro lado, apresenta nova atração a cada esquina, tenha esta propósitos exclusivamente turísticos ou não. Dois dias, dias felizes devo dizer, concederam-me sem dúvida um mero vislumbre da cidade. Um maravilhoso vislumbre ainda assim.

De volta a Milão, as próximas duas semanas seriam passadas a trabalhar como voluntária no pavilhão da União Europeia na Expo. Apesar da minha inicial desconfiança face a um (ou qualquer) trabalho não remunerado, a verdade é que acabei por viver uma experiência brilhante, junto de um dos grupos de pessoas mais interessante que já conheci. O trabalho em si, apesar de cansativo, foi liderado por uma equipa de profissionais que fez questão de nos tratar com um enorme respeito e consideração, criando assim motivação para um empenho descontraído.

Preparo-me agora para a última viagem antes de regressar a casa. As por todos tão adoradas Cinque Terre, cinco terras costeiras na Riviera Ligure, prefiguram-se como o lugar perfeito, o derradeiro paraíso, o desfecho ideal para esta temporada.

No entretanto, revisito Milão que me envolve nestes dias com uma atmosfera nostálgica, com braços familiares que me prendem e pedem para ficar. Oferecendo-me infinitamente a novidade, mesmo que nos seus usuais humores estranhos, ainda que no gato na janela ou na música tocada em determinada hora e local, a cidade a que já me habituei continua a surpreender-me nas suas banalidades e ganha assim o estatuto de segunda casa.

Uma nova viagem agora para depois me despedir até à próxima.


Camila

1 comentários:

  1. gostei tanto de te acompanhar nas tuas viagens que até a mim me custa despedir de milão! ainda que te queira de volta... mãe

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