Um gato na janela, a opressão do ar, um alguém algures…
O pequeno e o detalhe, é neles que reparo agora, nestes dias
finais. O caso particular sempre me atraiu mais que o universal e é portanto a
pequena cidade que crio na grande Milão que com certeza ficará gravada na minha
memória.
De volta a Milão, as próximas duas semanas seriam passadas a trabalhar como voluntária no pavilhão da União Europeia na Expo. Apesar da minha inicial desconfiança face a um (ou qualquer) trabalho não remunerado, a verdade é que acabei por viver uma experiência brilhante, junto de um dos grupos de pessoas mais interessante que já conheci. O trabalho em si, apesar de cansativo, foi liderado por uma equipa de profissionais que fez questão de nos tratar com um enorme respeito e consideração, criando assim motivação para um empenho descontraído.
Preparo-me agora para a última viagem antes de regressar a casa. As por todos tão adoradas Cinque Terre, cinco terras costeiras na Riviera Ligure, prefiguram-se como o lugar perfeito, o derradeiro paraíso, o desfecho ideal para esta temporada.
No entretanto, revisito Milão que me envolve nestes dias com
uma atmosfera nostálgica, com braços familiares que me prendem e pedem para
ficar. Oferecendo-me infinitamente a novidade, mesmo que nos seus usuais
humores estranhos, ainda que no gato na janela ou na música tocada em
determinada hora e local, a cidade a que já me habituei continua a
surpreender-me nas suas banalidades e ganha assim o estatuto de segunda casa.
Uma nova viagem agora para depois me despedir até à próxima.
Camila

gostei tanto de te acompanhar nas tuas viagens que até a mim me custa despedir de milão! ainda que te queira de volta... mãe
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