Finale

De volta a casa…

Os últimos dias em Itália foram tão cansativos como mágicos. As tão aguardadas Cinque Terre são tão fantásticas quanto as expectativas pediam. Mais uma vez, ligeiramente vendidas ao turismo, sem nada no entanto que as destrone. Foram bons dias os que lá passei. Uma companhia maravilhosa, da qual virei a sentir falta, paisagens magníficas, praia e sol já ansiados, e o cheiro a mar que há tanto me despertava saudades!

Regressada a Milão tinha apenas um dia para fazer e refazer tudo aquilo que desejava. Foi um dia cheio. Entre responsabilidades (que envolviam afazeres burocráticos na universidade e a arrumação de meio ano de vida em três malas) e afazeres que envolviam menos responsabilidade, o dia acabou por ser memorável e possivelmente a melhor forma de me despedir da cidade. Revisitei os favoritos, não pela última vez com certeza, mas mais uma vez. Ligeiramente nostálgica, deixei Milão sentindo-o como o lugar que me permitiu uma das melhores experiências da minha vida.

Na verdade, este texto deveria ter sido publicado há mais de uma semana atrás e deveria ser intitulado 139, o exato número de dias que passei em Itália. Mas tendo estendido o meu período de Erasmus a mais alguns dias no meu país, faltou-me o tempo e a razão para o fazer. É que não me senti até agora de volta, de volta a casa e de volta ao mundo real. Algumas amigas que fiz em Milão acompanharam-me numa pequena viagem pela costa portuguesa que acabou na capital, onde ficamos uns dias para passear e aproveitar um festival de música.

Depois sim, despedidas. Porque para além dos lugares, e vi-os tão maravilhosos, foram as pessoas que conheci que fizeram este meio ano de vida. Se já me tinha despedido de algumas ainda em Itália, dito adeus, até logo ou até uma outra vida, despedi-me agora de algumas das que mais me marcaram, tornando-se família. É comum dizer que os nossos amigos são família, por gostarmos tanto deles, mas quando se partilha literalmente um lar durante tanto tempo com alguém é que se percebe verdadeiramente a analogia. Ganhei, portanto, duas novas irmãs: a Sara e a Isabella, com quem tenho vindo a partilhar o meu dia-a-dia, as minhas chatices, os meus regozijos, e de quem vou sentir muita falta agora que estou de volta.


Mas sabe bem voltar, e sabe bem voltar diferente. O contraste é o que engrandece o regresso – o conforto do conhecido, da cama que é minha e do quarto que é meu. Do café do costume que me irritava por o ser, e das mesmas pessoas que não mudavam e que quase grito que não mudem agora. Fiquem para sempre e esperem por mim quando voltar de novo. Pois sairei, que já não sei não sair. Mas voltarei e saberei apreciar mais o regresso de cada vez que o faça.


Sair é, no entanto, necessário, sair e descobrir a nossa ignorância, a nossa pequenez e a nossa grandeza também. Descobrir que (Sócrates estava certo) nada sabemos e nada saberemos enquanto continuarmos à procura de saber, e é esse o propósito da vida. Viver sem saber para que nos possamos sempre surpreender e descobrir, crescer na novidade e na abertura ao mundo.


Saber só que cada coisa e cada um é um mundo, diferente, à espera de se poder mostrar, e recebê-lo como se de ouro se tratasse.

Ci vediamo dopo!

Camila

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