Dia 111

O tempo. O fim e os novos começos.

Tudo sabe a pouco hoje em dia. Parece que o tempo vai perdendo horas e as horas minutos. O mesmo período em que uma vez me pareceu viver uma vida, hoje pouco aguenta, e vai sendo reduzido aos poucos e poucos. Quanto mais se tem para fazer, e se quer fazer, menos o tempo nos dá de si. Para além disso, não se fica pelo presente. O tempo assombra-nos em sonhos e divagações futuras e permanece eterno redutor de memórias. Com certeza filho da desordem divina (da qual tão pouco se fala) por contradizer as vontades e desejos dos homens, toma parte nas nossas escolhas, vidas e mortes, tornando-se assim um pilar da vida humana.

Chego agora (quase) ao fim da minha experiência de Erasmus. Agora, quando mal começou! Daqui a um mês estarei de volta a casa e um mês passa num dia. Sei-o por todas as coisas que serão deixadas por fazer, por culpa do tempo. O seu dano alastra-se a todos os aspetos da vida, que nunca serão por isso vividos em pleno, estende-se ao rápido e ao vagaroso, ao quotidiano e à novidade. Estende-se aos meus atuais pensamentos sobre o futuro: ao tanto que gostava de ser e fazer e ao tanto que reprimirei por saber que uma só vida não mo permitirá. E tantas facetas e caminhos fazem qualquer escolha tomada parecer a errada…

A ideia é evidentemente impedir o desgraçado de nos afastar dos nossos planos e prazeres, e até responsabilidades. A ideia é continuar a querer, ainda que lutando contra o tempo e mesmo que ele insista em lutar connosco. E assim, um fim torna-se um começo e voltar a casa uma coisa boa. Acabar não significa mais voltar ao início mas sim partir de onde se acabou. E, seja em casa ou outra vez fora, não deixar que o tempo nos impeça do que quer que seja. E quando ele vier, bem, saber que o evitámos enquanto pudemos.

Lutamos assim contra a tragédia que é saber, não só da finitude da vida, mas da efemeridade dos dias, quando fingimos que não sabemos. Assim se faz a vida – inconscientemente – que senão perdemo-nos em consciência e rendemo-nos ao tempo, deixando a vida passar. Assim decidimos que a vida é nossa e que a faremos como quisermos, da melhor forma que pudermos.

Ao tempo que nos deixará de guiar e a tudo que, ainda assim, será deixado de parte
em seu nome.

Camila

1 comentários:


  1. Gostei imenso do teu texto e da profundidade dele.Obrigado minha neta,Camila.Um beijo.10-6.2015

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