Dos casos práticos.
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Há que pedir desculpa por alguma ausência. Os últimos tempos têm sido uma loucura. Entre imparáveis visitas (quer de amigos como de amigos de amigos) e a subjacente vida turística, entre aulas, afazeres domésticos e uma recente mudança de casa, começo agora a sempre desesperante época de exames. Esqueçam-se os relatos do estudo facilitado de Erasmus. Se existe facilitismo a nível de exames (algo que ainda não pude verificar), não existe a nível de estudo. Dentro de doze dias faço o meu primeiro exame, oral, cujo material de estudo são três livros de trezentas páginas e nem a mais pequena orientação de por onde começar. Sendo que os livros, que encomendei em inglês, só chegaram em Abril, encontro-me de momento numa corrida contra o tempo e contra a tarefa humanamente impossível de os ler na íntegra.
Mas, como eu tão bem sei, o estudo não é tudo e aproveitei os dois últimos fins de semana para continuar as minhas visitas aos mais maravilhosos lugares. O Lago Maggiore, apesar de não me ter despoletado o surpreendente encanto tão íntimo de Como, apresentou-se glorioso com todas as suas ilhas e vistas magníficas. Já Torino foi, devo confessar, pouco aproveitado já que acabamos por nos perder nas horas dentro do Museu Nacional do Cinema. Valeu a pena. O aparatoso edifício permite uma vista panorâmica sobre a cidade e o seu interior e conteúdo uma viagem no tempo, mostrando não só a fantástica evolução do cinema como possibilitando também a entrada nesse mundo através de cenários e decoração que nos transportam aos seus clássicos. A visita à cidade que ficou então para um curto segundo plano será com certeza retomada.
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A vida faz-se também muito por Milão, é claro. E é esta cidade que começo a entender melhor. Falei, numa das primeiras publicações do blog, na surpresa positiva que foi a minha chegada depois de tantos testemunhos que descreviam Milão como uma cidade industrial e pobre em beleza. Ora, tratam-se de afirmações relativas mas não totalmente descabidas. Apesar do centro de Milão ser belíssimo, os seus arredores deixam de facto muito a desejar, A poluição é sentida fisicamente, o ar pesado e impuro torna-se claustrofóbico, assim como a ausência de mar cuja importância não percebia até ter deixado o Porto. Milão não é, portanto, uma cidade que escolheria para crescer, mas é ainda assim uma cidade com uma enorme vida, uma cultura imensa e, como todos os centros urbanos cosmopolitas, uma cidade de estudos e oportunidades. É uma cidade de jovens e uma experiência que não trocaria por nada.
Viver fora, longe e (quase) independentemente, põe tudo em perspectiva. Ao passar de algum tempo, as saudades são direccionadas para os sítios e pessoas certas e percebe-se com maior clareza o que é indispensável à nossa vida. Olho agora o Porto, e Portugal, como um lugar onde sempre voltar, por maior que seja a ânsia de conhecer o mundo e viver outros sítios. Comparo-me a quem vou conhecendo e, a maioria, faz-me aperceber-me do meu orgulho e amor desmedido pela cidade e país que serão sempre a minha casa, por mais que deseje e continue a fugir.
Amor e saudades. Vontade de conhecer e ficar. Sair e voltar. Chegar e partir.
Camila
Há que pedir desculpa por alguma ausência. Os últimos tempos têm sido uma loucura. Entre imparáveis visitas (quer de amigos como de amigos de amigos) e a subjacente vida turística, entre aulas, afazeres domésticos e uma recente mudança de casa, começo agora a sempre desesperante época de exames. Esqueçam-se os relatos do estudo facilitado de Erasmus. Se existe facilitismo a nível de exames (algo que ainda não pude verificar), não existe a nível de estudo. Dentro de doze dias faço o meu primeiro exame, oral, cujo material de estudo são três livros de trezentas páginas e nem a mais pequena orientação de por onde começar. Sendo que os livros, que encomendei em inglês, só chegaram em Abril, encontro-me de momento numa corrida contra o tempo e contra a tarefa humanamente impossível de os ler na íntegra.
Mas, como eu tão bem sei, o estudo não é tudo e aproveitei os dois últimos fins de semana para continuar as minhas visitas aos mais maravilhosos lugares. O Lago Maggiore, apesar de não me ter despoletado o surpreendente encanto tão íntimo de Como, apresentou-se glorioso com todas as suas ilhas e vistas magníficas. Já Torino foi, devo confessar, pouco aproveitado já que acabamos por nos perder nas horas dentro do Museu Nacional do Cinema. Valeu a pena. O aparatoso edifício permite uma vista panorâmica sobre a cidade e o seu interior e conteúdo uma viagem no tempo, mostrando não só a fantástica evolução do cinema como possibilitando também a entrada nesse mundo através de cenários e decoração que nos transportam aos seus clássicos. A visita à cidade que ficou então para um curto segundo plano será com certeza retomada.
A vida faz-se também muito por Milão, é claro. E é esta cidade que começo a entender melhor. Falei, numa das primeiras publicações do blog, na surpresa positiva que foi a minha chegada depois de tantos testemunhos que descreviam Milão como uma cidade industrial e pobre em beleza. Ora, tratam-se de afirmações relativas mas não totalmente descabidas. Apesar do centro de Milão ser belíssimo, os seus arredores deixam de facto muito a desejar, A poluição é sentida fisicamente, o ar pesado e impuro torna-se claustrofóbico, assim como a ausência de mar cuja importância não percebia até ter deixado o Porto. Milão não é, portanto, uma cidade que escolheria para crescer, mas é ainda assim uma cidade com uma enorme vida, uma cultura imensa e, como todos os centros urbanos cosmopolitas, uma cidade de estudos e oportunidades. É uma cidade de jovens e uma experiência que não trocaria por nada.
Viver fora, longe e (quase) independentemente, põe tudo em perspectiva. Ao passar de algum tempo, as saudades são direccionadas para os sítios e pessoas certas e percebe-se com maior clareza o que é indispensável à nossa vida. Olho agora o Porto, e Portugal, como um lugar onde sempre voltar, por maior que seja a ânsia de conhecer o mundo e viver outros sítios. Comparo-me a quem vou conhecendo e, a maioria, faz-me aperceber-me do meu orgulho e amor desmedido pela cidade e país que serão sempre a minha casa, por mais que deseje e continue a fugir.
Amor e saudades. Vontade de conhecer e ficar. Sair e voltar. Chegar e partir.
Camila

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