Dia 58

Matar saudades e passear. Visitar os mais mágicos lugares com aqueles que mantêm a magia na minha vida.

Chegaram as férias da Páscoa e com elas a minha família. Desembarcaram em Milão para me visitar e conhecer um bocadinho da terra a que hoje posso chamar casa emprestada. Depois de Milão, umas passagens rápidas por Parma, Bergamo, Como e Pádua e, finalmente, um fim-de-semana em Veneza.

Sendo cada lugar maravilhoso à sua maneira, a beleza de Veneza é simplesmente inexplicável. Tal como se fôssemos automaticamente expulsos do espaço-tempo que conhecemos, pôr um pé nesta cidade é ser transportado para um universo à parte. Trazem-nos de volta à realidade os turistas e as atrações a si destinadas mas, sendo possível abstrairmo-nos disso, absorvemos uma atmosfera única. O espírito da cidade é antigo e dificilmente nos deixa indiferentes quando nos perdemos nas suas mais remotas ilhas e canais. A vontade é ficar, conhecer e desvendar. Imaginar e criar mil aventuras nunca escritas mas talvez vividas porque tudo é possível neste mundo paralelo.

Para um clima de magia, contribuem sempre aqueles que a mantêm viva em mim, que me fazem de novo e eternamente criança, tempo em que todos os mundos, espaços e tempos são, de facto, possíveis. Fazem-no de diferentes formas, cada um desempenhado um inconsciente papel neste tão querido retrocesso. Pouco sabem sobre a sua importância e pouco lhes conseguiria explicar, mas deles não pediria mais nada.

Hoje, quase adulta, ganho consciência. Da vida e da morte, do bem e do mal, da felicidade e da tristeza. Da morte, do mal e da tristeza. Hoje, são estas as realidades que vejo e não quero aceitar, é nelas que penso quando não quero pensar e é delas que fujo sempre que posso. É pelo meu lugar de magia e criancice que mais temo e por aqueles que sempre me trazem de volta e me salvam do medo, me salvam da consciência. E a morte sempre é tomada pela vida, o mal substituído pelo bem, e a tristeza sempre dá lugar à felicidade. E quem o torna possível são aqueles por quem mais temo, quem mais prezo e a quem mais desejo todos os mundos mágicos e universos paralelos. A eles desejo todas as Venezas que possam existir, num mundo eternamente mágico e belo.

Com amor e já saudades, à minha querida família:
Susana, Luís, Henrique, Carolina e Eduardo

Camila

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