Os passeios, a arquitetura, a comida, a bebida, o convívio.
As pessoas.
Munique não me podia ter surpreendido mais. Ainda que estivesse
ansiosa pelo fim-de-semana que se aproximava, uma viagem marcada, por impulso,
com um mês de antecedência e planeada três dias antes da partida não reservava
tempo ou espaço para formar grandes expectativas. Mais uma vez: a melhor forma
de viajar. Devo dizer que pouco sabia em relação à cidade – falavam-me da
cerveja, do clube de futebol e do alto custo de vida mas quase tudo o resto era
para mim um mistério.No entanto, o mesmo não posso dizer em relação ao povo alemão. A Alemanha não é, como sabemos, país conhecido por passar despercebido, seja em que contexto ou circunstância for. Talvez por isso tivesse já as ideias repletas de preconceitos em relação ao seu povo – preconceitos negativos, positivos, falsos e verdadeiros. O tempo que lá passei não foi, obviamente, suficiente para os confirmar ou decifrar a todos mas foi o bastante para me redimir face a alguns. Se a limpeza das ruas e edifícios, a organização e o civismo das pessoas me confirmaram em parte o seu caráter mais rígido e sério quando contrapostos às culturas latinas, os biergartens, restaurantes e pubs negaram a totalidade desse caráter. Alguém que por lá conheci descreveu o povo alemão como um povo realmente trabalhador (e realmente implacável no que ao trabalho diz respeito) mas absolutamente alegre e fácil nos tempos livres. Foi isso que, de facto, vi. A arrogância generalizada com que pintava os alemães, se já desaparecera em parte quando Milão me apresentara alguns, começou a morrer no momento em que a primeira pessoa parou espontaneamente a sua bicicleta para ajudar quatro raparigas que estudavam um mapa pouco cooperante. A partir daí, a simpatia só aumentou. A arrogância existe, é claro, mas creio que em todo o lado. Se me surpreendi, neste ponto, confesso que foi sempre pela positiva.
A política e a economia, assuntos sempre inevitáveis, foram
debatidas por alto com um cuidado impressionante. As pessoas com quem tive
contacto mantiveram uma posição muito simpática em relação à situação que se
vive no nosso país, nunca transparecendo qualquer tipo de sentimento de
superioridade ou altivez que se pudesse esperar, e oferecendo mais esperança e
confiança no futuro do que aquelas que nós próprios frequentemente temos.
O fim-de-semana não permitiu a visita ao famoso castelo de Neuschwanstein, a grande inspiração para
o castelo da Cinderela, mas tal perda foi compensada pela visita ao maravilhoso
palácio de Nymphenburg, pelo
agradável passeio pela Marienplatz, pela
estafante mas gratificante subida à Alter
Peter que nos presenteou com a mais fantástica vista sobre a cidade, entre
tantos outros magníficos cantos e recantos que a cidade tem para oferecer. Mas
conhecer e visitar não é tudo. É preciso viver uma cidade. Viajar em boa
companhia ajuda sempre a tornar a experiência extraordinária. Viajar com calma,
sem correr, experimentar a cidade.
Apesar da passagem pela cidade ter sido breve, vim embora a sentir que queria ficar.
E o que é isso
senão o melhor resultado que uma viagem pode ter? Camila


Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarUma crónica de viagem que faz apetecer "viver a cidade" Susana
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