Dia 20

Um fim-de-semana (em) cheio. Tal como deve ser.

A um passeio pela zona de Navigli no sábado à tarde e a um aperitivo caseiro no início da noite, seguiu-se uma passagem pela vida noturna milanesa. Não fiquei desiludida. O pavor que tenho por noites de house ou música comercial eletrónica nem se fez notar quando estes foram deixados de parte em prol de um comercial dançável, reggaeton e clássicos da música pop. Ainda que, de facto, não sejam a minha escolha musical quotidiana, são tudo aquilo que é pedido para uma noite de dança e de alegria fácil. E assim foi.

Arrependimentos só pela manhã quando tive de acordar, demasiado cedo, para apanhar o comboio até ao Lago de Como. Na verdade, ter-me comprometido a fazer tal viagem pode-me ter parecido uma loucura quando, às 10h da manhã de Domingo, tudo o que eu que queria fazer era dormir, mas os arrependimentos foram esquecidos no momento em que cheguei a Como.

É possível que as baixas expectativas face ao que encontrei tenham ajudado. Alistei-me para ver um lago e acabei a passar uma fantástica tarde numa das terrinhas mais bonitas em que já estive. Fiquei abismada. Nunca tinha visto fotos, ouvido demasiados relatos ou sequer pensado demasiado sobre o assunto e percebi que é essa a melhor maneira de viajar. Tinha ouvido falar sobre as mansões à volta do lago, é claro, mas nunca dando demasiada importância à questão. O contraste é, no entanto, realmente espantoso: por um lado, temos casinhas que se assemelham a casas de bonecas, por outro, vemos casarões e palacetes dignos de um Great Gatsby. Ainda assim, funcionam de uma forma maravilhosamente harmónica.

Uma mansão, em particular, chamou-me a atenção desde o primeiro minuto. Onde quer que estivesse podia vê-la, bastava levantar o olhar. Do cimo de um monte, vigiava Como, olhando-a como um imperador poderia olhar os seus domínios. Distante, enigmática mas sempre presente. Seria provavelmente mais plausível pensar que tal enorme mansão fosse um hotel mas, ainda assim, não consegui evitar conjeturar fabulosos devaneios sobre os misteriosos habitantes daquela casa. Na verdade, as minhas fantasias pressupuseram sempre apenas um esplendoroso habitante, homem, absolutamente rico e rodeado de criados. Depois dos criados, viriam apenas os convidados das suas estrondosas festas – mais uma vez, ao estilo de The Great Gatsby – ou, sob outra perspetiva, rodear-se-ia simplesmente de livros que seriam a sua única e verdadeira companhia. Foi então que reparei no caminho talhado no monte que permitia que um elétrico subisse até ao seu cume e percebi que as minhas dúvidas poderiam ser facilmente deslindadas. Descobri, porém, que não as queria tirar a limpo e estragar a magia que se começava já a desvanecer quando a realidade me mostrou que o meu eremita idealizado afinal permitia o acesso da plebe ao seu recanto.

O bom tempo fez com que o dia fosse ainda melhor, permitindo usufruir da paisagem montanhosa salpicada de neve com o sol a bater na cara, passear por ruelas com vagar e ainda parar numa esplanada para um cappuccino. Uma tarde verdadeiramente excecional.
O fim do dia chegou devagar, enquanto o meu cansaço adiava as tarefas domésticas que o fim-de-semana deixara por fazer. Tem também sido ele o pior inimigo do blog - o cansaço no fim do dia - mas prometo que o vou combater de forma mais eficaz.

Os cantos e recantos, comboios e janelas, casas e casarões. É para eles que vivemos.

Camila

1 comentários:

 

Sed Auctor

Quis Mauris

Suspendisse Dolor