Dia 9



O cigarro como manifestação. De estilo, de literacia, de cultura.

Nunca previra a quantidade de fumadores que iria encontrar em Milão. Jovens, adultos e idosos. Gordos, magros, feios, bonitos, mais isto ou menos aquilo. Parece que a própria cidade é fumadora. E gosta de o ser.

Não há como o negar. O tabaco provoca uma infinidade de doenças a médio e longo prazo, reduz a qualidade de vida, é um vício caro e repulsivo para não-fumadores. Mas ainda assim, Milão vem provar o que toda a gente pensa mas é demasiado pressionada para não dizer. O cigarro aparece aqui como acessório de moda, como chavão intelectual, como parte do presente efémero que é o único que importa. Transporta uma beleza cinematográfica (ainda que nem todos sejam capazes de lha incutir) que nos fala de rudeza na sua melhor forma ou até mesmo de elegância.

A cidade é feita para fumadores: as esplanadas quentes e cobertas, os cinzeiros que se encontram dispostos por todo lado, possuindo por vezes um design brilhante, e os cafés maravilhosos que suplicam por companhia. Sem qualquer aparente preocupação que não envolva o momento presente, os milanesi são capazes de usufruir deste pequeno deleite como ninguém e fazem-no com admirável distinção.

O mais dócil prazer como a mais mortífera arma.

Camila

1 comentários:

 

Sed Auctor

Quis Mauris

Suspendisse Dolor