As varandas de Milão. Os detalhes pequeninos por oposição ao
esplendor oponente da cidade.
Estes três primeiros dias têm sido uma aventura. Não estou
em aulas, ainda, por isso o que não me falta é tempo livre. Apesar de, em
ocasiões normais, ser absolutamente notívaga e defensora de que as manhãs são
feitas para dormir, a minha companheira de quarto é de outra opinião. Não deixo
de lhe estar agradecida – se não fosse tão madrugadora e não ficasse à minha
espera para irmos tomar o pequeno almoço, o mais provável é que o meu dia só
começasse a meio da tarde.
Os únicos afazeres que tenho, para já, são questões
burocráticas e domésticas e, portanto, os meus percursos diários poderiam
resumir-se a uma ida até à faculdade e a uma paragem no supermercado no regresso à residência. Mas isso seria extremamente aborrecido. Como tal, tenho-me
entretido a passear pelas ruas de Milão. Ainda vi muito pouco, é claro. Caminho
com calma, paro várias vezes e, sobretudo, observo os pormenores.
Desde o primeiro momento em que cheguei a Milão, ainda no
autocarro que me trouxe de Bergamo, fiquei deliciada com as varandas dos
edifícios. Milão não é propriamente tida como a cidade mais bonita de Itália,
nomeadamente quando comparada à beleza harmónica e simples de outras terras italianas.
É uma cidade imponente, altiva e até arrogante, e será muitas vezes nessas
caraterísticas que encontramos a sua beleza tão própria. Mas as varandas são
Itália, são o romance, o amor, a beleza pura. São elas o ponto de encontro
entre a mistura arquitetónica que varre a cidade. Os mais belos edifícios
contam eles mesmos com varandas e janelas adornadíssimas que são,
posteriormente, enfeitadas com plantas e flores. Mas mesmo aqueles edifícios
que à primeira vista desprezaríamos, desfrutam de um cuidado imenso na
decoração das varandas cujo design é também desdenhável. Os “jardins
varandis”, como lhes venho a chamar, são absolutamente mágicos (e possivelmente
demasiado ordinários para quem por eles passa todos os dias). Gostava de ter
conseguido tirar fotografias que mostrassem o que quero transmitir mas os
ângulos nunca eram os melhores, por isso, deixo só uma pequena ideia - oportunidades não faltarão para mostrar outros exemplos.
Perdida na multidão. Eu e as minhas varandas.
Camila
Lindo o leitmotiv das varandas!
ResponderEliminarTudo belíssimo! Nao te esqueças do Avó Tónio e da Avó Gina.
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